Renda do Norte e Nordeste atrai planos de saúde

Atuando apenas no Norte e no Nordeste, a operadora de planos de saúde Hapvida, do Ceará, vai fechar 2011 com faturamento de R$ 900 milhões e carteira de 1,2 milhão de clientes, ante 100 mil dez anos atrás.

A empresa é uma das muitas atuantes no setor que têm crescido fora dos Estados do eixo Sul-Sudeste, graças à ampliação de renda da população nessas regiões.

Levantamento que a Folha fez a partir de dados da ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) mostra que os dez Estados onde houve maior crescimento percentual de beneficiários de planos de saúde ficam no Nordeste, no Norte e no Centro-Oeste.

Desde 2008, a Hapvida cresceu a uma taxa superior a 20% ao ano. Estatísticas da ANS já a colocam atrás apenas de gigantes nacionais, como Bradesco Saúde, Intermédica, Amil e Unimed.

Segundo empresas do segmento, a melhora de renda da população favoreceu esse crescimento - famílias que entraram na chamada classe C passaram a incluir o plano de saúde no orçamento.

Esse quadro acabou sendo bem mais favorável fora de Sul e Sudeste, onde há muito mais espaço para crescer.

Enquanto em São Paulo 45% da população já tem convênio médico, em Estados como Piauí, Tocantins, Acre, Roraima e Maranhão a taxa de cobertura não chega a 7%. Em Rondônia, o crescimento de clientes das operadoras foi de 30% ante 2010 muito acima da média nacional, de 7,6%, e de São Paulo, com alta de 7,1%.

Segundo o presidente-executivo da Hapvida, Jorge Pinheiro, a fórmula encontrada para crescer nas regiões Norte e Nordeste foi reduzir custos para oferecer preços mais competitivos.

Uma das maneiras foi investir em rede própria de hospitais - hoje são 20, nos 11 Estados onde atua o plano, fundado há 15 anos.

"A complexidade de gestão é maior, mas permite ter previsibilidade de custos e, com isso, reduzir preços."

O outro ponto, segundo Pinheiro, foi o investimento em tecnologia. Com um sistema interligado de totens de autoatendimento espalhados pelas cidades, que permite a marcação de consultas, exames e outros serviços, a empresa reduziu gastos com funcionários -atualmente são 10 mil empregados.

O potencial de crescimento da região atraiu empresas com atuação nacional. Segundo Pinheiro, seus principais concorrentes de forma regionalizada são as cooperativas montadas pela Unimed nos municípios.

O presidente da Unimed do Brasil, Eudes de Freitas Aquino, confirma ser bem maior o crescimento em regiões como Norte e Nordeste do que em polos médicos mais consolidados, como São Paulo.

MAIS BENENEFICIÁRIOS TEM ATENDIMENTO RUIM

Com o crescimento no número de beneficiários de planos de saúde, também é maior o volume de pessoas que são atendidas por operadoras com baixa classificação na ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar).

Medido pela agência, o IDSS (Índice de Desempenho da Saúde Suplementar) referente a 2010, o mais recente, mostrou que 20,9 milhões de pessoas são atendidas por planos de saúde considerados medianos ou ruins.

O número representa 45% do total de clientes.O percentual cresceu em relação ao ano-base anterior, quando 43% eram atendidos por planos considerados medianos ou ruins. O índice medido pela ANS não apresenta dados de forma regionalizada.

FAIXAS

O IDSS divide as operadoras em cinco faixas e leva em consideração o desempenho da atenção à saúde, estrutura e operação, situação econômica e financeira e satisfação dos beneficiários.

Tendo 1 como a nota máxima, a Hapvida, de Fortaleza, é classificada entre as faixas 0,6 e 0,8.

Apesar do grande contingente de pessoas que ainda são atendidas por operadoras em condições ruins, o coordenador do Programa de Qualificação da ANS, João Matos, disse que houve avanço nos últimos anos.

No levantamento atual, por exemplo, operadoras responsáveis por 4,4 milhões de clientes foram enquadradas na melhor faixa de avaliação -em 2007, não havia nenhuma nessa posição.

Para 2012, de acordo com ele, o IDSS será melhorado. Uma das mudanças envolve a fórmula para obtenção do índice - a satisfação do usuário terá mais peso no cálculo.