Despesa de planos supera o total investido em saúde pelo Governo Federal em 2014

ABRAMGE - 16/03/2015

Segundo estimativa do periódico trimestral "Cenário da Saúde", publicado pela Abramge (Associação Brasileira de Medicina de Grupo), entidade que representa os planos de saúde, o montante pago em 2014 pelas operadoras de planos de saúde para custear despesas assistenciais deverá alcançar R$ 105 bilhões, superando, pela primeira vez, todo o orçamento federal para a saúde, que é de R$ 98 bilhões no período.

"Essa diferença pode ser ainda maior quando tivermos os dados oficiais, já que tradicionalmente o Governo Federal não alcança o valor previsto em orçamento", destaca Antonio Carlos Abbatepaolo, diretor executivo da Abramge. Os números já divulgados mostram que até novembro de 2014 o Governo Federal gastou 78% do previsto em orçamento para a saúde.

Os principais fatores que influenciaram no crescimento dos gastos foram os aumentos das despesas com internações, exames, terapias e consultas. A despesa com internação dos planos de saúde em 2014 deverá atingir R$ 42,7 bilhões, volume quase quatro vezes maior do que o valor total das internações custeadas pelo SUS, estimado em R$ 12,9 bilhões no mesmo período.

No mesmo período, a sinistralidade (relação entre o custo da assistência aos usuários e a receita das operadoras) do setor de saúde suplementar deverá ultrapassar a máxima histórica de 84,9% em 2012, chegando a 85,1%. Ou seja, de cada R$ 100,00 recebidos pelas operadoras de planos de saúde em 2014, a título de mensalidade, R$ 85,10 foram utilizados para custear despesas médico-hospitalares dos beneficiários.

O levantamento da Abramge estima, ainda, que os planos de saúde movimentaram um volume de recursos equivalente a 2,5% do PIB brasileiro em 2014, injetando cerca de US$ 53 bilhões para a cobertura de 71,9 milhões de beneficiários. Esses números reafirmam o mercado brasileiro de planos de saúde como o segundo maior do mundo em volume financeiro.