Número de beneficiários de plano de saúde cresce pouco

Folha de S. Paulo - Mariana Cristina Frias - 13/05/2013

O número de pessoas com plano de saúde no país cresceu 2,1% no ano passado, totalizando cerca de 47,9 milhões de beneficiários, segundo o Iess (Instituto de Estudos de Saúde Suplementar).

No último trimestre de 2012, a elevação ante os três meses anteriores foi ainda mais tímida, 105 mil novos vínculos, o que representou uma alta de 0,2%.

Os acréscimos anual e trimestral foram os menores registrados desde 2009.

O pequeno resultado positivo do ano foi garantido pela contratação de planos coletivos, que cresceram 3,1%. Enquanto isso, os individuais aumentaram 1,6%.

O ritmo mais lento de expansão do segmento individual é decorrente, de acordo com o instituto, da redução do rendimento médio dos profissionais autônomos e da desaceleração na geração de empregos formais no último trimestre do ano.

"Os contratos antigos, anteriores à legislação dos planos de 1999, vêm se reduzindo", afirma o superintendente Luiz Augusto Carneiro."

"Isso não se deve à mortalidade. A faixa etária que mais cresce nos planos novos é a de idosos."

Os planos odontológicos (sem a combinação com os de assistência médica) se expandiram de forma mais intensa. No ano passado, o aumento foi de 10%, com a adesão de cerca de 1,7 milhões de pessoas.

O segmento tem se mostrado mais promissor devido à pequena base de beneficiários, segundo o Iess.

 

Tendência de Gastos

As despesas das empresas de assistência médica ultrapassaram os R$ 30 bilhões no ano passado, segundo um levantamento da Federação Nacional de Saúde Suplementar (FenaSaúde).

O montante representa os gastos de 29 operadoras com consultas, exames, terapias, internações e outras despesas ambulatoriais e odontológicas ligadas à federação.

"Os gastos hospitalares são os que mais impulsionam as despesas. O preço médio das internações é o item que mais contribui para esse aumento", diz José Cechin, diretor-executivo da FenaSaúde.

Nos últimos cinco anos, as despesas dos planos médicos cresceram mais de 130%, conforme a entidade.

"A elevação dos custos da saúde é um fenômeno mundial, mas temos de ficar atentos para que isso não vire uma ameaça às operadoras", afirma Cechin.

Investimentos em promoção e prevenção à saúde são medidas necessárias para evitar um futuro colapso do setor, segundo o executivo.

"O aumento de gastos não é sazonal, mas uma tendência", diz Luiz Augusto Car­neiro, do IESS.

"No valor das internações pesa muito o preço de materiais. Eles tendem a encarecer pela incorporação de novas tecnologias.