Maiores planos crescem 33% em 1 ano  

O ESTADO DE S. PAULO - Fernanda Bassette - 09/09/2011
 
As dez maiores operadoras de planos de saúde cresceram 33% em apenas um ano e já controlam um terço do mercado, que soma 46,6 milhões de pessoas. Os dados fazem parte de relatório da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) e se referem ao período de março de 2010 a março de 2011.
 
A expansão das maiores operadoras foi bem maior que a média do mercado (aumento de 9,3% no período). Em contrapartida, o número de leitos privados disponíveis no País cresceu apenas 2,2%. Ou seja, em apenas um ano, o número de usuários de planos de saúde cresceu quatro vezes mais que a oferta de leitos.
 
Diante do crescimento acelerado, a dúvida que fica é se a rede está preparada para absorver toda essa demanda. Dados do Procon mostram que as reclamações só têm crescido: no segundo semestre de 2009 foram registradas 5.440 reclamações. No mesmo período de 2010 foram 7.301 queixas contra planos.
 
Para o advogado Julius Conforti, especialista em planos de saúde, a concentração nas mãos de poucas operadoras prejudica o consumidor. Um dos exemplos, segundo ele, é que a ANS decidiu adiar por três meses o início da norma que determina o prazo máximo que uma operadora pode demorar para promover o atendimento ou agendar exames e cirurgias para os usuários.
 
"Isso demonstra que as operadoras ainda não estão preparadas para cumprir a norma. Se não estão preparadas é porque não conseguem atender a demanda de pacientes na mesma velocidade que cresceram", diz.
 
Maria Inês Dolci, coordenadora institucional da Proteste, diz que o cenário é preocupante. "Apesar de o mercado estar concentrado em dez grandes empresas, ainda há negativa de coberturas, falta de leitos, descredenciamento de médicos e serviços."
 
Segundo Bruno Sobral, diretor de desenvolvimento setorial da ANS, o adiamento da resolução aconteceu para que as operadoras se adequem às regras: "À medida que o plano engloba mais beneficiários, precisa trazer também mais prestadores. E vamos multar as operadoras que não cumprirem esses prazos".
 
De acordo com Sobral, a concentração pode ser vantajosa no sentido de aumentar a concorrência entre elas e reduzir o risco de falência, já que os custos são diluídos entre várias pessoas.
 
Fim da excelência. Carmem Nazaré Paschoal Angelino, de 53 anos, sente o reflexo da concentração. Ela é cliente de um plano que foi adquirido por outro há um ano e, desde então, enfrenta dificuldades para marcar consultas e agendar uma cirurgia. "A excelência do serviço acabou. Médicos foram descredenciados, mudaram os laboratórios. Está o caos ", conta.
 
Arlindo Almeida, presidente da Associação Brasileira de Medicina de Grupo (Abramge), diz que por enquanto não sente problemas de desabastecimento por causa da concentração. "A não ser que existam problemas pontuais", diz. De acordo com ele, os planos têm investido em hospitais e leitos - o que é um processo lento.
 
Almeida admite, no entanto, que o "oligopólio" de operadoras pode ser ruim. "Isso não é interessante para nenhuma atividade. Os preços tendem a subir e pode haver desabastecimentos regionais, o que não é bom", diz.
 
A Federação Nacional de Saúde Suplementar (FenaSaúde) informou, em nota, que suas afiliadas buscam frequentemente adequar suas redes de prestadores às necessidades de atendimento dos beneficiários e que não tem conhecimento de insuficiência da capacidade de atendimento.