Planos de Saúde apostam em PMEs

Cínthya Dávila para a revista FH - 23/08/2012

Responsável por medir as taxas de empreendedorismo mundial, o estudo Global Entrepreneurship destacou que nos últimos anos o brasileiro passou a investir mais na abertura de novos negócios. De acordo com a pesquisa, o Brasil é o terceiro no mundo em números de empresas, atrás apenas da China e Estados Unidos, e ocupa o nono lugar no ranking de localidades com maior número de pessoas que abrem negócios no mundo.

Com 27 milhões de pessoas envolvidas em um negócio próprio, essa realidade aponta que as pequenas e médias empresas (PMEs) vivem um momento de profissionalização e busca pela competitividade e permanência no mercado.

Dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) mostram que essas companhias representam em média 20% do PIB brasileiro e são responsáveis por 60% dos 94 milhões de empregos no Brasil. A maior parte dos negócios locais estão na região sudeste, com quase três milhões de empresas e o setor preferencial é o comércio, seguido de serviços, indústria e construção civil.

Desde o início desta década, a participação das PMEs vem obtendo mais destaque. No primeiro semestre de 2010, a receita real registrou um aumento de 10,7% comparado ao mesmo período de 2009. De acordo com o estudo, este indicador aponta que esses empreendimentos superam o ritmo de crescimento da economia brasileira.

Atento ao crescimento e consolidação deste nicho de mercado, o setor suplementar brasileiro vê neste segmento uma rica fatia de consumidores para oferecer planos de saúde. “As empresas estão com foco nesta área e brigando por ela, pois há uma diretriz de que passem a atuar mais com planos empresariais para pequenas e médias empresas. Além disso, os empregadores estão mais interessados em cuidar do bem-estar de seus funcionários”, afirma o sócio gerente da Contatto Consultoria, João Júnior.

Dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) mostram que os planos coletivos com menos de 30 vidas representam 86,25% dos contratos de planos do País. Somando aproximadamente dois milhões de usuários, o que representa 11,73% do total de beneficiários.

Desde o ano de 2005, a Bradesco Saúde tem se dedicado apenas à comercialização de planos coletivos. “O Brasil é o país latino-americano no qual as empresas oferecem mais benefícios aos funcionários e o plano de saúde é o segundo item mais desejado pelo consumidor brasileiro”, afirma o diretor técnico e operacional da Bradesco Saúde, Flávio Bitter. Fatores como esse foram importantes para que a operadora direcionasse sua atuação para atender às empresas.

A SulAmérica também atuante apenas no nicho empresarial enxerga o ramo de pequenas e médias empresas como um foco de muitas oportunidades. “O número de PMEs aumenta anualmente. Além disso, a preocupação pela retenção de funcionários não está mais condicionada apenas as grandes corporações. E cada vez mais, o plano de saúde torna-se um aliado dessas companhias”, explica o diretor técnico e de produtos da SulAmérica Saúde, Maurício Lopes.

O motivo principal para que as operadoras optem por planos coletivos é o fato de praticamente não haver regras para esta modalidade. De acordo com João Júnior, vale o que estiver no contrato da operadora com a empresa, sindicato, associação ou cooperativa. “O contrato não se submete aos limites de aumento estipulados pela ANS. E os rejustes são estabelecidos por meio de negociação entre as partes, possibilitando que a rescisão do documento seja feita unilateralmente pelas operadoras”.

Ele complementa ao dizer que, em consonância com esta tendência, para os consumidores esses planos também são mais interessantes porque são vendidos por preços mais baixos do que os planos individuais.

Planos corporativos, clientes autônomos

Em junho de 2012, a carteira de pequenas e médias empresas da Bradesco Saúde (Segmento de Seguro para Pequenos Grupos “SPG” – que compreende de 04 a 99 vidas) atingiu o número de 520 mil vidas. Mostrando um crescimento de 35,5% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Já a SulAmérica, registrou no primeiro trimestre deste ano mais de 280 mil beneficiários de planos de saúde na categoria PME. E alcançou um crescimento de 21,1% no número de beneficiários, em comparação com o primeiro trimestre de 2011. Sozinho este segmento representa 17,3 % dos prêmios de saúde, informa Lopes.

O que tem acontecido, de acordo com João Júnior é que, diante das facilidades apresentadas por estes planos, os profissionais liberais estão optando pelo corporativo ao invés do familiar. “Se ele for comprar um plano familiar vai pagar mais alto que o empresarial. E para a operadora é mais vantajoso oferecer um plano empresarial, uma vez que as pessoas estão vivendo mais e utilizando com mais frequências os serviços de saúde suplementar. Com o passar do tempo, os pacotes familiares vão trazer prejuízos para as empresas de saúde suplementar”.

Com os planos empresariais é mais fácil para as operadoras oferecerem promoção e prevenção de saúde para os beneficiários, pois é possível direcionar os cuidados para um nicho específico dentro de uma companhia. Lopes conta que a SulAmérica possui opções voltadas para o tratamento de doenças crônicas. Ele conta que como as companhia têm o interesse de cuidar da saúde de seus funcionários, a operadora responde a essa demanda elaborando ações para estimular a qualidade de vida destes funcionários.

“No futuro, se compararmos uma operadora A com um milhão de vidas atuando em planos particulares e uma B atuando com um milhão de vidas em planos corporativos, daqui a 15 anos, a A terá problemas de sustentabilidade nos negócios, enquanto a B não, pois tem a possibilidade de fazer mais manobras do que a outra”, conta João Júnior.

O superintendente executivo do Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS), Luiz Augusto Carneiro, completa, ao dizer, que nos planos coletivos empresariais é mais fácil implantar programas como esses, pois são grupos fechados e com menor rotatividade. “Grande parte dos clientes que fazem planos individuais saem no primeiro ano por não utilizarem ou por não conseguirem pagar. Nos planos coletivos, essa desistência é menor”.